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Posted by : Marcus Vinicius Cunha de Souza 19 de janeiro de 2012



Naufrágio do SS San Francisco - Nathaniel Currier, 1854

No Natal de 1853 J. T. Watkins, Capitão do navio de transporte de tropas SS San Francisco recebeu um presente de Natal que nenhum comandante deseja: Uma tempestade em alto mar.
Assolado por ondas descomunais e ventos de furacão, o pequeno navio de 85 metros de comprimento não era páreo para o Oceano Atlântico. Um único vagalhão varreu mais de 150 pessoas do convés, a chaminé arrancada, a ponte de comando danificada. Com os motores parados e o leme danificado, não havia nada que a tripulação pudesse fazer.
O tempo foi passando e  o navio se distanciava cada vez mais de sua rota. Sem rádio (Marconi só nasceria em 1874) a única forma de comunicação era através de sinais luminosos e bandeiras. Não havia como pedir socorro e o San Francisco era somente um ponto no oceano.
Até que no dia 5 de Janeiro de 1854 uma frota de resgate achou exatamente aquele ponto, salvando os 500 sobreviventes da equipagem de 700 passageiros e tripulantes, incluindo o Cônsul brasileiro  Jacinto Derwanz.
Encontrar um navio perdido ao sabor das correntes foi algo inédito, fruto da ciência, do conhecimento, do pioneirismo e acima de tudo da teimosia de um sujeito chamado Matthew Maury.
Nascido em 1806, Maury é considerado pai da Oceanografia Moderna e da Meteorologia Naval. Fascinado por correntes, ventos e padrões Maury era um marinheiro nato, servindo como oficial dos EUA até sofrer um acidente em 1839. Atropelado por uma carruagem ficou impossibilitado de embarcar em navios.
Transferido para o Departamento de Cartas e Instrumentos ele começou a fuçar o imenso acervo. Entre outras informações havia diários de bordo de milhares de navios, bem como informações meteorológicas. Logo ele percebeu um padrão:
Capitães conheciam truques e atalhos, sabiam que em determinadas épocas do ano era mais vantajoso pegar determinadas rotas, economizando tempo de viagem. As correntes marítimas impulsionavam as embarcações que sabiam tirar proveito delas.



Comandante Matthew Maury - Ella Sophonisba Hergesheimer, 1923

Embora conhecidas as correntes sempre foram vistas como um fenômeno local e ocasional. Maury as percebeu como parte de um sistema muito maior.  Ele compilou as informações de mais de 1 milhão de registros e criou um mapa de correntes do Atlântico Norte, mas ninguém o levou a sério.
Marinheiros são muito, muito conservadores, e ninguém queria saber das idéias de Maury. Quando o SS San Francisco desapareceu Maury viu ali a chance de validar suas teorias.
Debruçando-se sobre cartas náuticas, montanhas de cálculos e muito, muito café ele plotou a última posição conhecida do San Francisco, fatorou as condições climáticas, época do ano, registros meteorológicos, dados do navio e marcou no mapa um X: “O San Francisco está aqui”.
Querendo se livrar de Maury, o Comando Naval topou enviar uma frota SE ele prometesse parar de encher o saco com essa idéia louca de um sistema mundial de correntes marítimas.
Mesmo os mais ferrenhos críticos tiveram que dar o braço a torcer quando os sobreviventes do San Francisco começaram a sinalizar para a frota de resgate.
Maury tornou-se um super-astro no círculo naval, mas isso foi apenas o começo.
Como todo geek Maury era fanático por informação, e viu em sua recém-conquistada fama a chance de conseguir mais dados, tornando suas cartas mais precisas ainda. A melhor fonte de informação? Os próprios usuários.
Seu livro de correntes, ventos e rotas ajudava navios a economizar em alguns casos 12 dias de viagem, e valia seu peso em Ouro. Mesmo assim era distribuído gratuitamente pelo Observatório Naval dos EUA, sob uma condição:
Capitães deveriam anotar diariamente em um formulário próprio informações de data, posição, temperatura, velocidade e direção do vento. De tempos em tempos esses dados deveriam ser enviados para o Observatório.
Também deveriam, em um intervalo determinado de dias, anotar em um papel o nome do navio, a data e a posição, colocar o papel em uma garrafa e jogá-la no mar. Se encontrassem uma dessas garrafas deveriam recolhê-la, anotar os dados da garrafa e quando e onde foi encontrada e escrever informando o Observatório.
Antes da invenção do rádio Maury montou uma rede mundial de colaboradores, logo países compondo o equivalente a ¾ dos navios do mundo participavam do projeto, incluindo inimigos declarados dos EUA. As cartas geradas a partir deles eram disponibilizadas para toda a Humanidade. Até o Papa fez sua parte, criando bandeiras de distinção para navios dos Estados Papais que enviassem os dados meteorológicos para Maury.
Enquanto boa parte do mundo praticava a escravidão Maury conseguiu um feito só possível em um mundo sem fronteiras, sem distinções raciais ou sociais, onde a informação de um cargueiro chinês vale tanto quanto a de um destroier inglês. Ele mostrou que sem satélites, sem radares, sem estações de radiomonitoramento, sem balões ou sequer telégrafo intercontinental era possível que um grupo de pessoas colaborasse e criasse algo que nenhuma delas, não importa quão rica ou inteligente conseguiria sozinha.
Maury criou sua própria Internet, usando papel, garrafas e inteligência. Na estante de praticamente todo oficial naval do mundo, os livros de Maury são um “Bitch, please”para todo garoto que descobre a Wikipedia e acha que está sendo pioneiro em projetos colaborativos.
Hoje ele é matéria obrigatória na Academia Naval dos EUA e será homenageado com o USNS Maury, um navio oceanográfico de pesquisas de 110 metros de comprimento de classe Pathfinder, seu título informal: “Matthew Maury – O Trilheiro dos Mares”.

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