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Posted by : Marcus Vinicius Cunha de Souza 1 de dezembro de 2011

As características da voz passiva sintética com locuções verbais são determinadas por fatos específicos

As características da voz passiva sintética com locuções verbais são determinadas por fatos específicos
Para darmos início à discussão que ora se faz presente, tomemos como exemplo estes enunciados: 

Os presentes tinham sido comprados – voz passiva analítica
Tinham-se comprado os presentes. – voz passiva sintética
 
As ordens devem ser respeitadas – voz passiva analítica
Devem-se respeitar as ordens – voz passiva sintética

Mediante a análise desses exemplos, constatamos a presença de uma locução verbal cujo verbo auxiliar (tinham/devem) pode ser perfeitamente flexionado. Tais transformações (voz ativa e passiva), diga-se de passagem, somente se deram em virtude de o verbo principal se caracterizar como transitivo direto.

Outro aspecto a se considerar é a dificuldade de os usuários, principalmente aqueles que não possuem um conhecimento mais apurado dos fatos linguísticos (em se tratando da voz passiva sintética com locução verbal), reconhecerem o sujeito da oração; muitas vezes, considerando-o como sendo o objeto da oração. Tal ocorrência se dá pela simples questão de ele estar posposto ao verbo, assemelhando-se à posição dos complementos verbais. Mas o fato é que sempre fazemos a pergunta ao verbo, assim como:
 
O que tinham sido comprados? OS PRESENTES – SUJEITO
O que devem ser respeitadas? AS ORDENS – SUJEITO

No entanto, há uma exceção em que determinados verbos auxiliares impedem a transformação da voz passiva, seja ela analítica ou sintética. Auxiliares esses que os gramáticos nomeiam de volitivos, ou seja, aqueles que indicam vontade ou intenção, tais como “querer, desejar, odiar”, como também aqueles que indicam tentativa ou esforço, como, por exemplo, “buscar, pretender, ousar”, entre outros.

Assim, para que possamos tornar concreto nosso perfeito entendimento acerca da exposição última, analisemos estes enunciados:
Pretende-se buscar novas soluções.
Ao fazermos a pergunta ao verbo descobrimos que o sujeito não é apenas “soluções”, mas sim “buscar novas soluções”, visto que a pergunta feita ao verbo se dá da seguinte forma: O que se pretende:
BUSCAR NOVAS SOLUÇÕES.
Estamos, pois, diante do que chamamos de sujeito oracional, constituído por uma oração subordinada subjetiva. Assim, voltemos ao enunciado na íntegra:
PRETENDE-SE BUSCAR NOVAS SOLUÇÕES.
Sujeito – buscar novas soluções
Predicado – pretende-se, cujo verbo, necessariamente terá de permanecer na terceira pessoa do singular (a flexão nesse caso não é permitida).

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